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REIS E RAINHAS e PRESIDENTES de PORTUGAL

D. Afonso Henriques

Filipe I Manuel de Arriaga

D. Sancho l

Filipe II Teófilo Braga
D. Afonso II Filipe III Bernardino Machado
D. Sancho II D. João IV Sidónio Pais
D. Afonso IIID. Afonso VI João do Canto e Castro
D. DinisD. Pedro II António José de Almeida
D. Afonso IV D. João V Manuel Teixeira Gomes
D. Pedro I D. José I Mendes Cabeçadas
D. Fernando I D. Maria I Gomes da Costa
D. João I D. João VI António Carmona
D. Duarte D. Pedro IV Craveiro Lopes
D. Afonso V D. Miguel Américo Tomás
D. João II D. Maria II António de Spínola
D. Manuel I D. Pedro V Costa Gomes
D. João III D. Luís Ramalho Eanes
D. Sebastião D. Carlos

Mario Soares

D. Henrique D. Manuel II

Jorge Sampaio

D. António

Anibal Cavaco Silva

Casa Real Portuguesa mais 3.º Dinastia ( casa de Áustria







OS REIS DE PORTUGAL E OS FILIPES DE ESPANHA
D. Afonso I

D. Afonso Henriques
D. Afonso Henriques




Primeiro rei de Portugal.
Filho do conde D. Henrique e da infanta D. Teresa.
Terá nascido em Coimbra e foi, possivelmente, criado em Guimarães onde viveu até 1128.
Tomou, em 1120, uma posição política oposta à de D. Teresa (que apoiava o partido dos Travas), sob a direcção do arcebispo de
Braga. Este forçado a emigrar leva consigo o

infante que em 1122 se arma cavaleiro.

Restabelecida a paz, voltam ao condado.

Entretanto novos incidentes provocam a

invasão do condado portucalense por D.

Afonso VII, que, em 1127, cerca Guimarães

onde se encontrava D. Afonso Henriques.

Sendo-lhe prometida a lealdade deste, D.

Afonso VII desiste de conquistar a cidade.

Mas alguns meses depois, em 1128, as tropas

de D. Teresa defrontam-se com as de D.

Afonso Henriques tendo estas saído

vitoriosas – o que consagrou a autoridade de

D. Afonso Henriques no território

portucalense, levando-o a assumir o governo

do condado.
Consciente da importância das forças que ameaçavam o seu poder este concentrou os seus esforços em dois planos: Negociações
junto da Santa Sé com um duplo objectivo:

alcançar a plena autonomia da Igreja

portuguesa e o reconhecimento do Reino.
Os passos mais importantes foram os seguintes:
Fundação do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, em 1131, directamente subordinada à cúria romana – fundação que propiciou a
reunião das dioceses portuguesas à metrópole

de Braga;
declaração de vassalagem por parte de D. Afonso Henriques à Santa Sé em 1143 – em virtude de uma nova fase da sua política
iniciada com o use do título de rei;

obtenção da bula de 1179, na qual o papa

Alexandre III designava pela primeira vez D.

Afonso Henriques rei a ao qual dava o

direito de conquistar terras aos Mouros

sobre as quais outros príncipes cristãos não

tivessem direitos anteriores;
pacificação interna do reino e alargamento do território através de conquistas aos Mouros – o limite sul estabelecido para o
condado portucalense – e assim Leiria em

1135, Santarém e Lisboa em 1147 – quer mesmo

para além deste, sempre que isso não viesse

originar conflitos com o Imperador – e assim

Almada e Palmela em 1147, Alcácer em 1160 e

quase todo o Alentejo (que posteriormente

foi de novo recuperado pelos Mouros).
Ficha genealógica:
D. Afonso Henriques, nasceu possivelmente em Coimbra, em 1109, e faleceu em Coimbra em 8 de Dezembro de 1185. Casou em 1145/1146 com
D. Mafalda, que nasceu em data incerta, e

morreu em Coimbra a 4 de Novembro de 1157,

ficando sepultada no Convento de Santa Cruz;

filha de Amadeu II, conde de Sabóia e

Piemonte, e da condessa Mafalda de Albon.

Tiveram os seguintes filhos:

1. D. Henrique, nasceu a 5 de Março de 1147 e morreu jovem;
2. D. Sancho, que herdou a coroa;
3. D. João, nasceu e morreu em data incerta;
4. D. Urraca, nasceu em Coimbra, por volta de 1150, e casou com D. Fernando II, rei de Leão, por 1165; sendo repudiada em
1179; faleceu em ano incerto;

5. D. Mafalda, nasceu em Coimbra, em ano incerto; noiva do conde D. Raimundo de Berenguer, filho do conde de Barcelona, em
1160; faleceu pouco depois;

6. D. Teresa, nasceu em ano incerto; casou com Filipe de Alsácia, conde de Flandres, por volta de 1177; faleceu depois
de 1211, em Furnes);
7. D. Sancha, nasceu e faleceu em data incerta.
O monarca teve os seguintes filhos bastardos:
8. D. Fernando Afonso, referido em documentos de 1166 a 1172;
9. D. Pedro Afonso (n. e f. em data incerta), por muitos considerado também irmão do monarca, pois tomou parte na
conquista de Santarém e esteve em Claraval

antes de 1153.
10. D. Afonso, nasceu em ano incerto; mestre da Ordem de S. João de Rodes, de 1203 a 1206; faleceu em 1 de Março de 1207;


11. D. Urraca, que nasceu e faleceu

em data incerta.





D. Sancho I

D. Sancho I
D. Sancho I

Segundo rei de Portugal, filho de D. Afonso I e de D. Mafalda.
Casou em 1174 com D. Dulce de Aragão. Por volta de 1170 passou a comparticipar da administração pública, pois o seu pai estava doente. Após a morte de seu pai foi solenemente aclamado
em Coimbra.

Foi um grande administrador, tendo acumulado no seu reinado, um verdadeiro tesouro. Protegeu a fomentou a indústria, o povoamento das terras foi uma das suas maiores
preocupações, criou concelhos e concedeu cartas de foral. Conquistou

Silves, que era na altura uma cidade com 20000 a 30 000 habitantes a uma

das mais ricas cidades do ocidente peninsular a também Albufeira.


Passou a intitular-se rei de Portugal a dos Algarves. Perdeu-se novamente Silves a os mouros reconquistaram novamente Alcácer, Palmeta a Almada, ficando apenas Évora na mão dos
portugueses.

Grande conflito surgiu durante o seu reinado com o prelado da cidade do Porto, tendo-se o rei oposto ao clero duma maneira extraordinária. No final da sua vida reconciliou-se com o
clero.

No campo da cultura, o próprio rei foi poeta a enviou muitos bolseiros portugueses a universidades estrangeiras.



Ficha genealógica:
D. Sancho I, nasceu em Coimbra, 1154, e morreu em Coimbra a 26 de Março de 1212. Casou em 1174 com D. Dulce, que nasceu em 1152 e morreu em Coimbra a 1 de Setembro de 1198, filha do conde de
Barcelona, Raimundo Berenguer IV, rei de Aragão, e de D. Petronilha.

Tiveram os seguintes filhos:
1. D. Teresa, nasceu em Coimbra por volta de 1175; rainha de Leão, em 1191, pelo casamento com D. Afonso IX, de quem se separou em
1196; entrou em religião por volta de 1228; morreu em Lorvão, com o

título de infanta-rainha, a 18 de Junho de 1250; beatificada pela bula

Sollicitudo Pastoralis Offici de 13 de Dezembro de 1705);

2. D. Sancha, nasceu em ano incerto, anterior a 1182; morreu no Mosteiro de Celas, a 13 de Março de 1229, sendo o corpo levado para
Lorvão. Foi beatificada em 1705;
3. D. Constança, nasceu ao redor 1182; faleceu solteira a 3 de Agosto de 1202;
4. D. Afonso II, que herdou a coroa;
5. D. Pedro, nasceu em Coimbra a 23 de Fevereiro de 1187; residiu em Leão; foi conde de Urgel e rei das Baleares, tendo morrido em 2 de
Junho de 1258);

6. D. Fernando, nasceu em 24 de Março de 1188; foi conde de Flandres pelo seu casamento com D. Joana, filha do conde Balduíno;
esteve na batalha de Bouvines; morreu em Noyen a 4 de Março de 1233;

7. D. Henrique, nasceu em 1189 e morreu a 8 de Dezembro de ano incerto, sendo ainda jovem;
8. D. Raimundo, nasceu em ano incerto, tendo falecido depois de 1189;
9. D. Mafalda, nasceu em ano incerto, por volta de 1190; foi rainha de Castela em 1214, sem consumar o matrimónio com D. Henrique,
filho do rei D. Afonso VIII, que faleceu de acidente em 1217; freira em

Arouca, morreu em Rio Tinto (Amarante) a 1 de Maio de 1256; beatificada

por breve papal de 27 de Junho de 1793;
10. D. Branca, nasceu por volta de 1192, tendo morrido solteira em 17 de Novembro de 1240, estando sepultada em Santa Cruz de Coimbra;
11. D. Berengária, nasceu c. 1195; rainha da Dinamarca, em 1214, pelo seu casamento com Valdemar II (1202-1241), morreu em 1221.
O monarca teve os seguintes bastardos de D. Maria Aires, de Fornelos:
12. D. Martim Sanches, nasceu em data incerta; passou a Leão; morreu em 1229;
13. D. Urraca Sanches, casou com D. Lourenço Soares, tenente de Viseu e Lamego, neto de Egas Moniz; morreu depois de 1256.
De D. Maria Pais Ribeira, a célebre Ribeirinha, filha de D. Paio Moniz, teve D. Sancho I os seguintes filhos:
14. D. Rodrigo Sanches, nasceu em data incerta, e morreu em 1245, no combate de Gaia; sepultado no Mosteiro de Grijó;
15. D. Gil Sanches, nasceu em data incerta; faleceu em 14 de Setembro de 1236;
16. D. Nuno Sanches, que morreu de tenra idade;
17. D. Maior Sanches, que morreu de tenra idade;
18. D. Constança Sanches, nasceu em Coimbra no ano de 1204; professou no Convento das Donas; morreu em 8 de Agosto de 1129, estando
sepultada em Santa Cruz;

19. D. Teresa

Sanches, nasceu em data incerta; segunda mulher de D. Afonso Telo de

Meneses, senhor de Albuquerque; morreu em 1230.



D. Afonso II

D. Afonso II
D. Afonso II

Terceiro rei de Portugal.
Filho de D. Sancho I e da rainha D. Dulce.
Ocupou o trono em 1211. Não seguiu a orientação dos seus antepassados quanto ao alargamento do Reino, voltando-se somente para a organização da administração deste a
para a consolidação do poder real. Assim, logo em 1211 reúne as cortes

de Coimbra donde parece ter saído a primeira colectânea de leis gerais

que mostram em Portugal, muito mais cedo que noutros países, a acção

centralizadora do rei.
As Cortes de Coimbra destinaram-se principalmente a garantir o direito de propriedade, a regular a justiça civil, a defender os interesses materiais da coroa e a
evitar os abusos. O desejo de firmar a soberania da coroa manifestou-se

ainda nas «confirmações», raras até D. Afonso II a que, de 1216 a 1221,

se generalizam como medida de administração pública, a nas «inquirições»

que a partir de 1220 representam também uma tentativa de reprimir

abusos.
Não teve quaisquer preocupações militares. Foi sem a sua presença que as tropas portuguesas intervieram na Batalha de Navas de Tolosa. Por iniciativa particular
foram, neste reinado, conquistadas aos Mouros: Alcácer do Sal, Vieiros,

Monforte, Borba, Vila Viçosa e, possivelmente Moura.

Ficha genealógica:
D. Afonso II, nasceu em Coimbra em 12 de Abril de 1185, tendo morrido na mesma cidade a 25 de
Março de 1223. Foi enterrado no Mosteiro de Alcobaça. Casou com D.

Urraca, filha de Afonso VII de Castela e irmã da rainha Branca, mulher

de Luís VIII, rei de França, que morreu em Coimbra a 3 de Novembro de

1220. Tiveram os seguintes filhos:
1. D. Sancho II, que herdou a coroa;
2. D. Afonso III, que herdou a coroa;
3. D. Leonor, nasceu em 1211; rainha da Dinamarca em 1229, pelo seu casamento com
Valdemar III da Dinamarca; faleceu depois de 1231;


4. D. Fernando, nasceu depois de 1217; foi senhor de Serpa; esteve em Roma por volta de
1239 para implorar perdão de Gregório IX, por desacatos cometidos;

faleceu por volta de 1243.
O monarca teve um bastardo de mãe que se ignora:
5. D. João Afonso, que morreu em 1234, sendo enterrado em Alcobaça.



D. Sancho II

D. Sancho II
D. Sancho II

Quarto rei de Portugal.
Nasceu em Coimbra, filho de D. Afonso II e de D. Urraca.
Retomou as negociações já iniciadas com o seu pai para uma reconciliação do poder estatal com o poder eclesiástico. O rei morrera excomungado e o
reino estava interdito. Finalmente estabeleceu-se uma concórdia com 10

artigos.
A partir de 1226 iniciou a campanha do Alentejo, conquistando Elvas, Jerumenha, Serpa, Aljustrel, Mértola, Aiamonte a provalvelmente Cacela a
Tavira. Como guerreiro foi digno continuador de D. Afonso Henriques, mas

foi mau administrador.
Foram frequentes durante o seu reinado as lutas entre os ricos-homens e os homens da Igreja, tendo o bispo do Porto feito queixas do rei ao papa. O
papa em bula enviada aos barões, concelhos das cidades e vitas a outros

lugares, aconselha a chefia do reino a alguém activo a prudente.
Foi nomeado o príncipe D. Afonso, futuro D. Afonso III. A Igreja dispôs assim da nação portuguesa. Houve ainda, no início de 1246 guerra civil
entre os partidários do rei a do príncipe D. Afonso.
Retirou-se para Toledo.



Ficha genealógica:
D. Sancho II, nasceu em Coimbra pelo ano de 1209, e morreu em Toledo em 4 de Janeiro de 1248. Casou com D. Mécia Lopez de Haro, que nasceu em data
incerta, morrendo em Palência por volta de 1270, sendo filha de Lopo

Dias de Haro, por alcunha o Cabeça Brava, fidalgo da Biscaia. Não deixou

sucessão.
D. Afonso III







D. Afonso III
D. Afonso III




Quinto rei de Portugal.
Segundo filho de D. Afonso II.
A incapacidade política levou à intervenção da Santa Sé, tendo o papa Inocêncio IV ordenado a todos os vassalos que obedecessem ao infante.
Este chegou a França, onde vivia, em 1246 a foi aclamado rei em 1248.
Realiza-se no seu reinado a conquista definitiva do Algarve. As discórdias com Castela quanto ao domínio algarvio só findaram com o
tratado de Badajoz em 1267 no qual ficou estipulado que o Guadiana,

desde a confluência com o Caia até ao mar constituiria a fronteira

luso-castelhana.
D. Afonso III foi notável administrador, fundou povoações restaurou, repovoou a cultivou lugares arruinados e concedeu numerosos forais.
Reuniu as Cortes em Leiria em 1254, as primeiras em que participaram representantes dos concelhos. Em 1261, nas Cortes de Coimbra foi-lhe
reconhecido o direito de cunhar moeda fraca.
Também procedeu a inquirições que revelaram muitos abusos praticados pelas classes privilegiadas, tendo promulgado várias leis tendentes a
reprimi-los.
Ficha genealógica:
D. Afonso III, nasceu em Coimbra a 5 de Maio de 1210, e morreu em Coimbra a 16 de Fevereiro de
1279. Casou em França, em Maio de 1239, com D. Matilde, condessa de

Bolonha e viúva de Filipe, o Crespo, que tinha falecido em 1234, não

tendo havido descendência, pelo que foi repudiada em 1253. Por um

segundo casamento, feito em S. Estêvão, termo de Chaves, no ano de 1253,

com D. Beatriz ou Brites, filha natural de Afonso X, rei de Castela,

deixou sucessão:
1. D. Branca, nasceu em Guimarães a 25 de Fevereiro de 1259; faleceu em Burgos a 17 de
Abril de 1321, onde era «Senhora e Guardadora» do Convento das Huelgas;

2. D. Fernando, nasceu em 1260 e faleceu em 1262, estando sepultado em Alcobaça;
3. D. Dinis, que herdou a coroa;
4. D. Afonso, nasceu em 8 de Fevereiro de 1263 e faleceu em Lisboa a 2 de Novembro de
1312; casou com D. Violante, filha do infante D. Manuel, senhor de

Escalons, em Castela;
5. D. Sancha, nasceu em 2 de Fevereiro de 1264. Viveu em Castela, falecendo em Sevilha
por volta de 1302. Está sepultada no Convento de Alcobaça;

6. D. Maria, nasceu em Coimbra a 21 de Novembro de 1264; freira no Convento das Donas
Cónegas de S. João, junto ao Mosteiro de Santa Cruz; morreu em Coimbra a

6 de Junho de 1304;
7. D. Vicente, nasceu em 22 de Janeiro de 1268 e morreu em Lisboa em ano incerto, sendo
enterrado no Mosteiro de Alcobaça.
D. Afonso III teve de várias mulheres os seguintes filhos bastardos:
8. D. Leonor Afonso, nasceu em data incerta; casou com D. Estêvão Anes, e, em
segundas núpcias, com D. Gonçalo Garcia de Sousa, alferes-mor; viveu

quase sempre em Santarém, onde morreu a 26 de Fevereiro de 1291, sendo

enterrada na Igreja de Santa Clara, onde ainda se guarda o seu túmulo;

9. D. Gil Afonso, nasceu em data incerta; cavaleiro da Ordem do Hospital, foi
sepultado na Igreja de S. Brás, em Lisboa, ignorando-se o ano da sua

morte;
10. D. Martim Afonso, por alcunha o Chichorro;
11. D. Afonso Dinis, nasceu e faleceu em data incerta, filho de D. Marinha Peres, de
Enxara dos Cavaleiros;
12. D. Urraca Afonso, nasceu e faleceu em data incerta, sendo enterrada em São João de Tarouca. Casou duas vezes, a primeira com D. Pêro Eanes,
tenente do distrito da Guarda, que morreu antes de 1286; e, a segunda,

com D. João Mendes de Briteiros, c. 1290.


D. Dinis

D. Dinis
D. Dinis

Sexto rei de Portugal.
Filho de D. Afonso III a de D. Beatriz de Castela. A doença de seu pai preparou-o bem cedo para governar.
Foi aclamado em Lisboa em 1279, para iniciar um longo reinado de 46 anos, inteligente e progressivo. Lutou contra os privilégios que limitavam a
sua autoridade. Em 1282 estabeleceu que só junto do rei a das Cortes se

podiam fazer as apelações de quaisquer juízes, a um ano depois revogou

doações feitas antes da maioridade. Em 1284 recorreu às inquirições, a

que outras se seguiram. Em 1290 foram condenadas todas as usurpações.
Quando subiu ao trono, estava a coroa em litígio com a Santa Sé motivado por abusos do clero em relação à propriedade real. D. Dinis por acordo
diplomático, obteve a concordata após a qual os litígios passaram a ser

resolvidos pelo rei a os seus prelados. Apoiou os cavaleiros portugueses

da Ordem de Santiago, que pretendiam separar-se do seu mestre

castelhano. Salvou a Ordem dos Templários em Portugal, passando a

chamar‑Ihes Ordem de Cristo.
Travou guerra com Castela, mas dela desistiu depois de obter as vilas de Moura a Serpa, territórios para lá do Guadiana e a reforma das fronteiras de
Ribacoa. Percorreu cidades a vilas, em que fortificou os seus direitos,

zelou pela justiça a organizou a defesa em todas as comarcas. Fomentou

todos os meios de uma riqueza nacional, na extracção de prata, estanho,

ferro, exigindo em troca um quinto do minério a um décimo de ferro puro.

Desenvolveu as feiras, protegeu a exportação de produtos agrícolas para

a Flandres, Inglaterra e França. Exportações que abrangiam ainda sal e

peixe salgado. Em troca vinham minérios e tecidos. Estabeleceu com a

Inglaterra um tratado de comércio, em 1308. Foi o grande impulsionador

da nossa marinha, embora fosse à agricultura que dedicou maior atenção.

A exploração das terras estava na posse das ordens religiosas. D. Dinis

procurou interessar nelas todo o povo, pelo que facilitou distribuições

de terras. Fundou aldeias, estabeleceu toda uma série de preciosas

medidas tendentes a fomentarem a agricultura, adoptando vários sistemas

consoante as regiões a as províncias.
Deve-se ainda a D. Dinis um grande impulso na cultura nacional. Entre várias medidas tomadas, deve citar-se a Magna Charta Priveligiorum,
primeiro estatuto da Universidade, a tradução de muitas obras, etc.
A sua corte foi um dos centros literários mais notáveis da Península.



Ficha genealógica:
D. Dinis, nasceu em 9 de Outubro de 1261, e morreu em Santarém a 7 de Janeiro de 1325. Casou em 1288 com D. Isabel (nasceu em Saragoça, 1270; morreu em Estremoz a 4
de Julho de 1336; enterrada em Santa Clara de Coimbra), filha de Pedro

III e de D. Constança, reis de Aragão. Tiveram a seguinte descendência:
1. D. Constança (n. em 3 de Janeiro de 1290; casou em 1307 com Fernando IV, rei de
Castela; f. a 18 de Novembro de 1313);
2. D. Afonso IV, que herdou a coroa.
De várias mulheres teve D. Dinis os seguintes filhos:
3. D. Pedro Afonso, nasceu ao redor de 1280; foi conde de Barcelos; morreu em Lalim,
c. 1354);
4. D. Afonso Sanches, nasceu 1288; morreu em Vila do Conde, 1329. Filho de Aldonça
Rodrigues Telha, foi senhor de Albuquerque em Castela; jaz no Mosteiro

de Santa Clara de Vila do Conde;
5. D. Pedro Afonso, nasceu e morreu em data incerta. Casou com D. Maria Mendes,
crendo-se que foi sepultado na Capela de Santa Isabel da Sé de Lisboa;

6. D. João Afonso, nasceu em data incerta; degolado em 4 de Junho de 1325. Filho de
D. Maria Pires, «huma boa dona do Porto de Gança»; foi legitimado a 13

de Abril de 1317; foi senhor de Lousã a Arouce; casou com D. Joana

Ponce, de família asturiana;
7. D. Fernão Sanches, que nasceu e morreu em data incerta. Casou com D. Froilhe Anes
de Besteiros;
8. D. Maria Afonso, nasceu e morreu em data incerta. Filha de D. Marinha Gomes,
mulher nobre de Lisboa; casou com D. João de Lacerda, fidalgo

castelhano;

9. D. Maria Afonso, nasceu em data incerta; morreu em 1320. Foi religiosa no Convento de Odivelas, tendo deixado fama de santidade.


D. Afonso IV

Afonso IV
D. Afonso IV

Sétimo rei de Portugal.
Filho de D. Dinis a de D. Isabel.
Ainda infante lançou o reino na guerra civil devido a favores que D. Dinis concedia ao filho bastardo Afonso Sanches. Proclamado rei (1325), reúne
cortes em Évora, condena o seu irmão ao desterro e à perda total dos

seus haveres. Afonso Sanches invade Portugal, tendo a paz sido alcançada

devido, em parte, à mediação de D. Isabel.
Os maus tratos infligidos pelo rei de Castela, Afonso XI, a sua esposa D. Maria, filha de Afonso IV, e o facto de D. Constança, esposa de D. Pedro
ter sido retida em Castela, levaram o monarca português a sustentar uma

guerra contra o seu genro. A guerra durou quatro anos tendo terminado

com a paz de Sevilha (10 de Julho de 1339 ou 1340) graças à mediação da

«fermosíssima Maria», enviada a Portugal por Afonso XI, quando os Mouros

retomavam a ofensiva.
Os dois monarcas combateram então na batalha do Salado (30 de Outubro de 1340), assinalando-se a valentia do rei português.
No final do reinado deu-se o assassinato de Inês de Castro (1355) e a subsequente rebelião de D. Pedro. Afonso IV impulsionou a marinha
datando possivelmente do seu reinado as primeiras viagens às Canárias (ca.

1345).



Ficha genealógica:
D. Afonso IV, nasceu em Lisboa a 8 de Fevereiro de 1291; morreu na mesma cidade a 8 de Maio
de 1357. Casou a 12 de Setembro de 1309 com D. Brites ou Beatriz, que

nasceu em Toro em 1293 e morreu em Lisboa a 25 de Outubro de 1359, filha

de Sancho IV e D. Maria Molina, reis de Castela. Tiveram a seguinte

descendência:

1. D. Maria, nasceu em 1313, e casou em 1328 com D. Afonso XI, rei de Castela; morreu
em Évora em 1357, estando sepultada na Capela dos Reis da Catedral de

Sevilha;
2. D. Afonso, nasceu em Penela, em 1315, e morreu de tenra idade, sendo sepultado no
Mosteiro de S. Domingos de Santarém;
3. D. Dinis, nasceu em Santarém em 1317; morreu no ano seguinte, ficando sepultado no
Mosteiro de Alcobaça;
4. D. Pedro, que herdou a coroa;
5. D. Isabel, nasceu em 21 de Dezembro de 1324, morreu em 11 de Julho de 1326, ficando
sepultada no Mosteiro de Santa Clara de Coimbra;
6. D. João, nasceu em 23 de Setembro de 1326, e morreu em 21 de Junho de 1327,
ficando sepultado no Mosteiro de Odivelas;
7. D. Leonor, nasceu em 1328, foi rainha de Aragão pelo seu casamento, em 1347, com Pedro IV, o Cerimonioso, morreu em Exerica em 1348.


D. Pedro I

D. Pedro I
D. Pedro I




Oitavo rei de Portugal, quarto filho de D. Afonso IV e de Beatriz de Castela.
Casou primeiro com Branca de Castela, a quem repudiou por debilidade física e mental. Casou depois com Constança Manuel, filha de, um fidalgo
castelhano que, quando veio para Portugal, trouxe consigo Inês de

Castro.
A ligação amorosa entre o infante D. Pedro e Inês de Castro foi imediata o que provocou forte conflito entre D. Afonso IV e seu filho e provocou a
morte prematura de Constança Manuel. Temendo o monarca a nefasta

influência dos Castros em seu filho, resolveu condenar à morte Inês de

Castro, o que provocou a rebelião de D. Pedro contra si. Contudo a paz

entre o pai e o filho foi estabelecida em breve e D. Pedro foi associado

aos negócios do Estado, ficando-lhe desde logo incumbida uma função, que

sempre haveria de andar ligada à sua memória – a de exercer justiça.
Durante o seu reinado evitou guerras; logrando aumentar o tesouro. Cunhou ouro e prata. E exerceu uma justiça exemplar, sem discriminações,
julgando de igual modo nobres e plebeus.
Os documentos coevos e o testemunho de Fernão Lopes definem-nos D. Pedro como justiceiro, generoso, folgazão, amado pelo povo e de grande
popularidade. A sua morte o povo dizia que «ou não havia de ter nascido,

ou nunca havia de morrer».
Ficha genealógica:
D. Pedro I nasceu em Coimbra a 8 de Abril de 1320 e morreu em Lisboa a 18 de Janeiro de 1367.
Casou em 1328 com a princesa D. Branca de Castela, não se consumando o

matrimónio por doença da noiva. Em 1334 tratou-se de um novo consórcio

com a infanta D. Constança, que nasceu em data incerta e morreu em 1345,

filha de D. João Manuel, infante de Castela. Tiveram a seguinte

descendência:

1. D. Maria, nasceu em Évora a 6 de Abril de 1342; casou em 1354 com o infante D.
Fernando de Aragão; morreu em Aveiro depois de 1363, ficando sepultada

no Convento de Santa Clara de Coimbra;
2. D. Luís, nasceu em 1344 e morreu uma semana depois;
3. D. Fernando, que herdou a coroa.
De uma nobre castelhana, D. Inês de Castro, nascida ao redor de 1325, tendo morrido
em Coimbra em 1354, foi sepultada em Alcobaça em 1361, filha de D. Pedro

Fernandes de Castro a de D. Aldonça Soares de Valadares, teve os

seguintes filhos:

4. D. Afonso (morreu de tenra idade);
5. D. João, nasceu em data incerta c. 1349; faleceu em Salamanca após 1385, tendo
sido candidato ao trono português;
6. D. Dinis, nasceu em data incerta por volta de 1350, foi aclamado rei em Santarém,
no ano de 1384, mas já tomara o partido de Castela; fundou a casa de

Vilar no reino vizinho, tendo morrido em data incerta;

7. D. Beatriz, nasceu em Coimbra c. 1351; foi educada em Santa Clara de Coimbra; casou
com D. Sancho, conde de Albuquerque, irmão de D. Henrique II de Castela;

morreu em data incerta.
De uma Teresa Lourenço, nasceu em 14 de Agosto de 1356:
8. D. João, que veio a ser Mestre de Avis a primeiro rei da segunda dinastia.


D. Fernando I

D. Fernando I
D. Fernando I




Nono rei de Portugal e último da primeira dinastia, cognominado como o Formoso ou o Inconstante.
Era filho de D. Pedro I e da rainha D. Constança. Subiu ao trono com 22 anos, quando em Castela se disputava a coroa entre D. Pedro, filho
legítimo de Afonso X e Henrique de Trastamara, um dos muitos bastardos

do falecido rei com D. Leonor de Gusmão. Assassinado D. Pedro, D.

Fernando abandonou a sua neutralidade e Portugal entrou puma sucessão de

períodos de guerra a paz.
D. Fernando alegando ser bisneto de Sancho IV, mas movido pela rivalidade comercial e marítima entre Lisboa e Sevilha, interveio nesse episódio
peninsular. Foi reconhecido como rei em cidades do norte da Península,

aliado ao rei mouro de Granada, atraiu a si D. Pedro IV de Aragão,

propondo-lhe casamento com sua filha D. Leonor. Em 1369 invade a Galiza.

Mas D. Henrique II atravessa o Minho, apodera-se de Braga a cerca

Guimarães a sai por Trás-os-Montes para ir em auxílio de Algeciras

cercado pelo rei de Granada.
Em 1371, com a intervenção do papa Gregório XI, os dois monarcas assinaram a paz de Alcoutim. D. Fernando comprometia-se a casar com D. Leonor, uma
das filhas de Henrique II, porém ao casar com D. Leonor Teles não

cumpria o tratado, o que se não teve consequências com Castela, pois

Henrique II não se deu por ofendido, teve-as com a Nação a quem tal

casamento não agradou.
Surge então o duque de Lencastre que se apresentava como pertencente ao trono castelhano. A França apoiou o Trastamara, Portugal, o Duque de
Lencastre. Nasceu aqui a expressão política da aliança luso-britânica,

primeiro no tratado de Tagilde, depois o de Westminster, a 16 de Julho

de 1373 assinado entre os reis de Portugal a de Inglaterra. Henrique II

invade novamente Portugal a chega a Lisboa onde entra em Fevereiro de

1373. O Cardeal Guido de Bolonha intervém como medianeiro a em Santarém

foram assinadas as condições humilhantes de um novo tratado.
Em 1378, com o Grande Cisma do Ocidente que opõe ao papa de Roma o papa de Avinhão, D. Fernando envolve-se em nova guerra com Castela. A Inglaterra
tomou partido por Roma, a França por Avinhão. D. Fernando que oscilou

entre um a outro papa, solicitado pela aliança com a Inglaterra,

quebrada a paz com Castela recomeçam as escaramuças de um a outro lado

da fronteira do Alentejo, sem que de ambos os lados se faça qualquer

esforço para uma batalha decisiva que ninguém desejava. Em Agosto

estabelecem-se negociações sem conhecimento da Inglaterra.
Estas três guerras custaram a Portugal o preço de três derrotas e de três tratados de paz com cláusulas de vencido. Contudo, durante os períodos
de paz, D. Fernando mostrou-se hábil com a sua política interna. São de

salientar as suas medidas de fomento, como reparações de muitos

castelos, a construção da nova muralha de Lisboa a do Porto, a criação

do cargo de condestável, renovações de armamento, a promulgação da lei

das Sesmarias, para defesa da agricultura, defesa da marinha mercante,

numa série de medidas de grande alcance, o grande impulso dado à

Universidade que foi transferida para Lisboa, além de outras que o

revelaram como um rei de excelente visão administrativa.
Ficha genealógica:
D. Fernando I nasceu em Lisboa a 31 de Outubro de 1345 e morreu na mesma cidade a 22 de Outubro de 1383. Casou em Leça do Balio, em Janeiro de
1372, com D. Leonor Teles, nascida em Trás-os-Montes por volta de 1350;

tendo morrido em Tordesilhas a 27 de Abril de 1386, filha de Martim

Afonso Telo e de D. Aldonça de Vasconcelos, portanto prima de D. João

Afonso Telo de Meneses, conde de Barcelos. A nova rainha fora já casada

com João Lourenço da Cunha, senhor do morgado de Pombeiro, sendo o

consórcio declarado nulo para poder efectivar o matrimónio real. Tiveram

a seguinte descendência:
1. D. Pedro, nasceu por 1370; morreu de tenra idade;
2. D. Afonso, nasceu por 1371; morreu de tenra idade;
3. D. Beatriz, nasceu em Coimbra no ano de 1372; casou em 1383 com D. João I, rei de Castela; morreu naquele reino depois de 1409.
De mulher que se ignora teve D. Fernando:
4. D. Isabel, nasceu em 1364; casou com D. João, filho de D. João Afonso Telo de Meneses, não se efectivando o projecto devido à pouca idade dos nubentes; voltou a
casar com D. Afonso, conde de Gigon e Noronha, filho ilegítimo de

Henrique II, rei de Castela; morreu em Portugal, onde se instalou depois

de viúva. Foi esta bastarda a mãe de D. Constança de Noronha, que veio a

ser, pelo casamento, esposa de D. Afonso, conde de Barcelos, mais tarde

primeiro duque de Bragança.


D. João I

D.João I
D. João I




Filho bastardo de D. Pedro I e de uma dama galega. O mestrado da Ordem de Avis foi-lhe
destinado desde a sua infância e é nesse sentido que decorre a sua

educação, a cargo do comendador-mor da Ordem.
Em 1383, já na situação de um dos mais ricos senhores de Portugal, jura, com muitas
outras figuras importantes do reino, cumprir cláusulas do contrato de

matrimónio da infanta D. Beatriz com D. João I de Castela. Nesse mesmo

ano, é um dos escolhidos para acompanhar a infanta a Badajoz, onde foi

entregue ao marido. O facto de ter sangue real e de ser olhado como

chefe provável do partido adverso à parceria Leonor Teles-conde de

Andeiro, deve ter contribuído para a sua prisão ordenada por D.

Fernando. Mais tarde é libertado por ordem do rei e a esse facto não

deve ter sido estranha a intervenção pessoal do conde de Cambridge,

chefe do contingente inglês em Portugal.
Depois da morte do rei, entra-se no período da guerra civil e da guerra com Castela e D.
João, aclamado regedor e defensor do reino, procura consolidar a sua

posição no meio de hesitações e compromissos. E aclamado rei em 1385,

vence a guerra com Castela e obtém tréguas em 1389. Volta-se então para

os problemas internos do reino e impõe a sua autoridade à nova nobreza,

que chefiada por D. Nuno Álvares Pereira, lhe desfalca os bens da coroa.

Em 1396, novamente guerra com Castela até 1398.
Segue-se um longo período de paz interna e externa, só cortado pela aventura de Ceuta.
Fora dos actos da administração pública, quase nada sabemos da vida do

monarca. Casou em 1387 com D. Filipa, filha do duque de Lencastre e ano

e meio depois nasce D. Branca, que não chegou a viver um ano; segue-se o

herdeiro do trono Afonso, que morre por volta dos dez anos; vêm a seguir

em rápida sucessão os infantes da «ínclita geração».
Morreu em 1433. Pessoalmente, foi-nos legado o retrato de um homem prudente, astuto,
cioso do poder e da autoridade, ao mesmo tempo, terno, humano e

benevolente. Foi sem dúvida o mais culto dos nossos monarcas medievais,

reflexo da educação que o preparara para dirigir superiormente uma

importante ordem religioso-militar.
Ficha genealógica:
D. João I, nasceu provavelmente em Lisboa, a 14 de Agosto de 1357, tendo morrido na mesma
cidade, em igual dia de 1433). Casou no Porto, a 2 de Fevereiro de 1387,

com D. Filipa de Lencastre (n. em Inglaterra, 1359; f. em Odivelas, a 19

de Julho de 1415), filha de João de Gant, duque de Lencastre, e de sua

primeira mulher, D. Branca. Tiveram os seguintes filhos:

1. D. Branca (n. em Santarém, a 30 de Julho de 1388; f. em Março de 1389; enterrada
na capela-mor da sé de Lisboa);
2. D. Afonso (n. em Santarém, a 30 de Julho de 1390; f. a 22 de Dezembro de 1400;
sepultado na sé de Braga);
3. D. Duarte, que herdou a coroa;
4. D. Pedro (n. em Lisboa, a 9 de Dezembro de 1392; f. na Batalha de Alfarrobeira, a 20
de Maio de 1449; sepultado no Mosteiro da Batalha). Casou a 13 de

Setembro de 1429 com D. Isabel de Urgel (n. por 1410; f. em data

posterior a 1470; sepultada no Mosteiro da Batalha), filha de D. Jaime

II, conde de Urgel, e de D. Isabel, infanta de Aragão. Foi regente do

Reino de 1438 a 1446;

5. D. Henrique (n. no Porto, a 4 de Dezembro de 1394; f. na vila do Infante, em Sagres,
a 13 de Novembro de 1460; sepultado no Mosteiro da Batalha);

6. D. Isabel (n. em Évora, a 11 de Fevereiro de 1397; casou com Filipe, o Bom, duque
da Borgonha, a 7 de Janeiro de 1430, em Écluse; f. em Dijon, a 11 de

Dezembro de 1471; sepultada no Convento da Cartuxa da mesma cidade);

7. D. João (n. em Santarém, a 13 de Janeiro de 1400; f. em Alcácer do Sal, a 18 de
Outubro de 1442; sepultado no Mosteiro da Batalha). Casou em 1424 com

sua sobrinha D. Isabel (n. em 1404; f. em Arévalo, a 26 de Outubro de

1465; transladada para o Mosteiro da Batalha), filha de D. Afonso, 8 °

conde de Barcelos, e de sua primeira mulher, D. Beatriz Pereira de

Alvim;

8. D. Fernando (n. em Santarém, 1402; f. no cativeiro em Fez, a 5 de Junho de 1443;
transladado em 1471 para o Mosteiro da Batalha).
Da união, anterior ao seu casamento, com uma Inês Pires, o monarca teve os seguintes
bastardos:
9. D. Afonso (n. talvez em Veiros, por 1380; f, na vila de Chaves, em Dezembro de
1461). Foi o 8 ° conde de Barcelos e 1 ° duque de Bragança. Casou em

primeiras núpcias, a 8 de Novembro de 1401, com D. Beatriz Pereira de

Alvim (n. em 1378; f. em Chaves por 1412), filha do condestável Nuno

Álvares Pereira e de D. Leonor de Alvim; e em segundas núpcias, no ano

de 1420, com D. Constança de Noronha (n. em data incerta; f. em

Guimarães, a 26 de Janeiro de 1480), filha de D. Afonso, conde de Gijon

e de D. Isabel, filha ilegítima de D. Fernando I de Castela;

10. D. Beatriz (n. talvez em Veiros, por 1382; f. de peste em Bordéus, a 25 de Outubro
de 1439). Casou, no ano de 1405, com Tomás Fitzalan, 7 ° conde de

Arundel, pelo que seguiu para Inglaterra; e, tendo enviuvado, a 13 de

Outubro de 1415, tornou-se esposa de Gilberto Talbot, barão de

Irchenfield, f. pouco depois. Pretende-se que em 1432 a infanta voltou a

casar com John Holland, filho do duque de Exeter.




D. Duarte

D. Duarte
D. Duarte

Décimo primeiro rei de Portugal, filho de D. João 1 e de D. Filipa de Lencastre.
O seu curto reinado de cinco anos, orienta-se em três sentidos: um que respeita à política interna, um segundo de expansão marítima e o
terceiro que diz respeito à política de guerra em Marrocos.
Em relação ao primeiro ponto, a promulgação da Lei Mental, medida de centralização que se destinava a defender o património da coroa, e a
convocação de cortes por cinco vezes no espaço de um lustro (Santarém,

1433 a 1434, Évora, 1435 a 1436 e Leiria, 1438) ilustram bem a linha

governativa de D. Duarte, tendo em conta a vontade dos três estados a

impondo princípios de centralização sem ferir os interesses senhoriais.
Em relação ao segundo ponto, o reinado de D. Duarte ficou marcado pela passagem do cabo Bojador por Gil Eanes, feito que permitiu uma mais
rápida exploração da costa africana.
Mas é em relação ao terceiro ponto que o reinado de D. Duarte melhor se define e se caracteriza. Com o apoio da rainha D. Leonor a dos seus irmãos
infantes D. Fernando a D. Henrique e contra a oposição dos outros irmãos

infantes D. Pedro a D. João, lança-se na política de conquistas em

Marrocos, que se saldou pelo desastre militar de Tânger a pela morte de

D. Fernando no cativeiro.
Durante algum tempo quis ver-se em D. Duarte um rei sem vontade própria, manejado por outras vontades. Mas este retrato de um rei abúlico não
resiste a uma crítica mais profunda. Os itinerários da corte, as

expedições para além do Bojador, a intensa actividade diplomática, a

convocação de cinco cortes e a promulgação de várias leis não permitem

considerá-lo um monarca inactivo. Em conjunto o seu reinado não

apresenta grandes sombras e a sua morte prematura veio acentuar os

dissídios da família real, abrindo o período de incerteza que termina no

conflito de Alfarrobeira.
Ficha genealógica:
D. DUARTE (n. em Viseu, a 31 de Outubro de 1391; f. em Tomar, a 13 de Setembro de 1438; jaz no Mosteiro da Batalha). Casou em 22 de Setembro
de 1428 com D. Leonor de Aragão (n. em Aragão, em ano que se ignora; f.

em Toledo, a 19 de Fevereiro de 1445), filha de D. Fernando I, rei de

Aragão e da Sicília, e da rainha D. Leonor, Tiveram os seguintes

fi­lhos:
1. D. João (n. em Lisboa, no mês de Outubro de 1429; f. em data anterior a 14 de Agosto de 1433);
2. D. Filipa (n. em Santarém, a 27 de Novembro de 1430; f. a 24 de Março de 1439; jaz no Mosteiro da Batalha);
3. D. Afonso V, que herdou a coroa;
4. D. Maria, nasceu no Sardoal, a 7 de Dezembro de 1432; morreu no dia seguinte;
5. D. Fernando, nasceu em Almeirim, a 17 de Novembro de 1433; morreu em Setúbal, a 18 de Setembro de 1470. Foi 2 ° duque de Viseu e 1 ° duque de
Beja, sendo o herdeiro de seu tio, o infante D. Henrique, como 9 °

mestre da Ordem de Cristo e responsável pelos Descobrimentos

(1460-1470). Casou em 1447 com sua prima co-irmã D. Beatriz (nasceu por

1430; morreu em Lisboa, em 1506, filha do infante D. João e de D.

Isabel, filha de D. Afonso, 8 ° conde de Barcelos. Do casamento de D.

Fernando e D. Beatriz viriam a nascer, entre outros filhos, D. Leonor,

que pelo seu casamento com D. João II foi rainha de Portugal; e D.

Manuel I, que recebeu o trono do primo germano e cunhado.

6. D. Leonor, nasceu em Torres Novas, a 18 de Setembro de 1434; morreu em Neustadt, a 3 de Setembro de 1467, estando sepultada no mosteiro da
Ordem de Cister, da mesma cidade. Casou em 1451 com Frederico III,

imperador da Alemanha, nascendo do consórcio quatro filhos, sendo o

primogénito Maximiliano I, que casou com Maria de Borgonha. Na

imperatriz D. Leonor radica a linha portuguesa do futuro imperador

Carlos V.
7. D. Duarte, nasceu em Alenquer, a 12 de Julho de 1435; morreu pouco depois;
8. D. Catarina, nasceu em Lisboa, a 26 de Novembro de 1436, e morreu a 17 de Junho de 1463, sendo sepultada em Lisboa, na Igreja de Santo Elói.
Prometida a D. Carlos, príncipe de Navarra, por morte deste recolheu-se

ao Convento de Santa Clara. Foi princesa culta e autora de várias obras

de fundo religioso e moral;
9. D. Joana, nasceu na Quinta do Monte Olivete, em Almada, a 31 de Março de 1439, seis meses após a morte do progenitor; morreu em Madrid, a 13 de
Junho de 1475. Casou em 1455 com Henrique IV de Castela, casamento de

que nasceu D. Joana, a Beltraneja, para muitos considerada filha dos

amores adulterinos de D. Joana com o nobre D. Beltrán de la Cueva.

Antes do casamento teve D. Duarte um filho de D. Joana Manuel, nobre de ascendência castelhana:
10. D. João Manuel, nasceu em data anterior a 1420, e morreu em fins de 1476, sendo sepultado na Igreja do Carmo, em Lisboa. Foi religioso desta
Ordem, onde em 1441 exerceu o cargo de provincial e recebeu o título de

bispo de Tiberíades. No ano de 1443, quando da vacatura do bispado de

Ceuta, foi provido nesse múnus, obtendo logo a seguir o título de primaz

da África. Em 1450 era capelão-mor de D. Afonso V e, nove anos depois,

bispo da Guarda, cidade onde nunca residiu. Deixou dois filhos, D. João

Manuel e D. Nuno Manuel, que tiveram grande valimento na parte final do

reinado de D. Afonso V e no tempo de D. João II.


D. Afonso V

D. Afonso V
D. Afonso V

Décimo terceiro rei de Portugal.
Filho de D. Duarte e de D. Leonor de Aragão.
O seu reinado compreendeu três grandes períodos. O primeiro vai da elevação ao trono (1438) à batalha de Alfarrobeira. D. Duarte confiara por
testamento a regência à rainha viúva; mulher e castelhana, era impopular

no reino, sendo apoiada por D. Afonso, duque de Barcelos e pela nobreza

nortenha. D. Pedro, duque de Coimbra, apoiado por seus irmãos e pelas

cidades, é eleito regente em Cortes (1439) e mantido no governo quando

D. Afonso V atinge a maioridade (1446). Só em 1448 se turvam as relações

entre ambos, devido às intrigas do conde de Barcelos; D. Pedro retira-se

para Coimbra e é morto em Alfarrobeira (1449).
A segunda fase caracteriza-se pelos feitos militares de D. Afonso V no norte de Africa, que lhe valem o epíteto de Africano: rei-cavaleiro
conquista Alcácer Ceguer (1458), ataca Tanger (1460, 1462, 1464), toma

Arzila (1471) e Larache, juntando ao título de «rei de Portugal e dos

Algarves» o de «aquém e além-mar em Africa».
O último período é dominado pela política peninsular: vago o trono de Castela pela morte de Henrique IV, Afonso V defende os direitos de sua
sobrinha D. Joana, a Beltraneja, com quem celebra esponsais, contra os

Reis Católicos. A batalha de Toro é-lhe desfavorável; decide passar a

França para obter, nos termos do acordo de 8 de Setembro de 1475, o

apoio de Luís XI, que lho recusa, devido à guerra com o duque de

Borgonha. Afonso V falha na mediação que tenta entre ambos; de regresso,

pensa ir a Jerusalém e abdica, mas reconsidera. E quando Luís XI assina

um tratado de amizade com Fernando e Isabel, Afonso V reconhece-Ihes a

realeza castelhana pelo tratado de Alcáçovas (1479).
Durante o reinado de Afonso V abranda a descoberta de África (vai-se do Rio do Ouro ao Cabo de Santa Catarina) e o poderio da nobreza põe em
perigo a estabilidade do Estado. Afrouxaram as relações com Borgonha e

estabeleceram-se contactos com a Bretanha. Floresceram na sua corte

Mateus de Pisano, Fernão Lopes, Azurara, Nuno Gonçalves, cardeal

Alpedrinha, Vasco Fernandes de Lucena. Na regência de D. Pedro

coligiram-se as Ordenações Afonsinas.
Ficha genealógica:
D. Afonso V, nasceu em Sintra, a 15 de Janeiro de 1432, e morreu na mesma vila, a 28 de Agosto
de 1481. Jaz no Mosteiro da Batalha. Casou em 1445 com sua prima D.

Isabel, nasceu em Coimbra, 1432, e morreu em Évora, a 2 de Dezembro de

1455. Jaz também no Mosteiro da Batalha. Era filha do infante D. Pedro e

de D. Isabel, duques de Coimbra. Em matrimónio que nunca se consumou,

por falta da necessária dispensa, casou em Plasencia, a 30 de Maio de

1475, com sua sobrinha D. Joana, que nasceu em Castela em 1462, e

faleceu em Lisboa em 1530, filha de Henrique IV e da infanta D. Joana de

Portugal. Daquele matrimónio nasceram os seguintes filhos:

1. D. João, nasceu em Sintra, a 29 de Janeiro de 1451 e morreu de pouca idade, tendo
sido sepultado na Capela de Nossa Senhora do Rosário, do Mosteiro da

Batalha;
2. D. Joana, nasceu em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1452 e faleceu em Aveiro a 12 de
Maio de 1490. Jaz em sumptuoso túmulo, no Mosteiro de Jesus da Aveiro.

Não tendo seguimento vários projectos de consórcio que lhe foram

destinados, a Princesa Santa acabou por abraçar a vida religiosa,

tomando o hábito dominicano naquele convento.
3. D. João II, que herdou a coroa.


D. João II

D. João II
D. João II




Filho de D. Afonso V, subiu ao trono em 1481, sendo certo que exercia já há alguns anos o
poder de facto. Com efeito, as frequentes ausências do reino, por

parte de D. Afonso V, põem-lhe nas mãos o governo do país.


Desde 1474 que dirigia a política atlântica, devendo-se à sua visão de governante, apesar de
não ter ainda vinte anos, a instituição do mare clausum,

princípio que estabelecia que o domínio dos mares estava ligado ao seu

descobrimento. Na linha dessa política surge o tratado de Toledo de

1480, em que D. João II aceitando a partilha das terras do Atlântico

pelo paralelo das Canárias, afasta a concorrência da Espanha em África e

protege a mais tarde chamada rota do Cabo. Durante o seu reinado toda a

costa ocidental da África foi navegada, dobrou-se o Cabo da Boa

Esperança e preparou-se por terra com as viagens de Pêro da Covilhã e

Afonso de Paiva, a viagem de Vasco da Gama à índia, a que o monarca já

não assistiria. Em 1494, assina-se o tratado de Tordesilhas,

dividindo-se a terra em duas zonas de influência, a atribuir a Portugal

e à Espanha. Dentro da zona de influência portuguesa ficava o Brasil, o

que permite supor que o monarca tinha conhecimento da existência dessas

terras.
No plano interno, a acção de João II orientou-se no sentido da centralização e
fortalecimento do poder real, tendo reprimido duramente as conjuras dos

nobres e abatido o poder das grandes casas do reino. De 1481 a 1485, são

mortos ou presos D. Fernando, duque de Bragança, D. Diogo, duque de

Viseu, D. Gutierres Coutinho, D. Pedro de Ataíde, Isaac Abravanel, D.

Afonso, conde de Faro, D. Fernão da Silveira, Diogo Lourenço, Afonso

Vaz, D. Álvaro, filho do duque de Bragança, Aires Pinto, bacharel João

Afonso e José Abravanel. Tinha em grande conta a opinião dos povos, mas

o seu conceito da autoridade real leva-o a só reunir cortes quatro

vezes, durante o seu reinado. Quanto às relações externas, a sua

actividade foi no sentido de criar laços de concórdia com os vários

reinos, talvez com o intuito de se libertar de problemas que pusessem em

dificuldades a política de expansão ultramarina. Alimentou o sonho de

uma futura «monarquia ibérica», tendo conseguido contratar o casamento

de seu filho D. Afonso com a primogénita dos Reis Católicos. A morte do

infante veio, no entanto, deitar por terra estes planos. Manteve uma

actividade diplomática intensa com vários países europeus, sendo de

destacar a embaixada de Vasco de Lucena, enviada a Roma em 1485.


A última fase do reinado de D. João II está marcada pelo problema da sucessão do trono.
Com a morte do infante D. Afonso, procura o rei habilitar ao trono o

bastardo D. Jorge. No seu testamento, todavia, nomeia seu sucessor D.

Manuel, irmão da rainha. Morre no Algarve em 1495, aceitando alguns

historiadores a hipótese de ter sido envenenado.


Ficha genealógica:
D. João II nasceu em Lisboa, a 3 de Março de 1455 e faleceu em Alvor, a 25 de Outubro de
1495; enterrado na sé de Silves e transladado em 1499 para o Mosteiro da

Batalha.
Casou em Janeiro de 1471 com sua prima co‑irmã D. Leonor, que nasceu em Beja, a 2 de Maio de
1458, tendo morrido em Lisboa, a 17 de Novembro de 1525, sendo sepultada

no Mosteiro da Madre de Deus, em Xabregas, filha do infante D. Fernando,

duque de Viseu, e de sua mulher D. Beatriz. Deste consórcio nasceu:

1. D. Afonso (n. em Lisboa, a 18 de Maio de 1475; f. na Ribeira de Santarém, de um
acidente de cavalo, a 13 de Julho de 1491). Casou em 3 de Novembro de

1490, em Estremoz, com D. Isabel (n. em Duenas, a 2 de Outubro de 1470;

f. em Saragoça, a 28 de Agosto de 1498), filha dos Reis Católicos, e que

viria mais tarde a ser rainha de Portugal pelo seu casamento com D.

Manuel, celebrado em Valência de Alcântara, em 1497.


D. João II teve um filho bastardo de D. Ana de Mendonça, filha de D. Nuno de Mendonça,
aposentador‑mor de D. Afonso V, e que foi dama da princesa D. Joana, a

Beltraneja (veja‑se 2, 9);
2. D. Jorge de Lencastre (n. em Abrantes, a 21 de Agosto de 1481; f. no castelo de
Palmela, a 22 de Julho de 1550). Seu pai fez tudo para lhe alcançar o

trono, entre 1491 e 1494, concedendo-lhe os mestrados de Santiago e de

Avis e dando-lhe o ducado de Coimbra e o senhorio de Montemor-o-Velho.

Casou em 1500 com D. Beatriz de Vilhena, filha de D. Álvaro, irmão do 3

° duque de Bragança, e de sua mulher D. Filipa de Melo.


<

D. Manuel I

D. Manuel I
D. Manuel I




Décimo quarto rei de Portugal, nono filho do infante D. Fernando e de D. Brites.
Filho adoptivo do príncipe D. João II, a quem votava afeição filial, foi feito, à morte do seu irmão D. Diogo, duque de Beja, senhor de Viseu,
Covilhã e Vila Viçosa, governador do mestrado de Cristo, condestável do

reino, e fronteiro‑mor de Entre-Tejo e Guadiana. O acidente que vitimou

o herdeiro do trono (D. Afonso) conduziu a que fosse aclamado rei em

Alcácer do Sal (27 de Outubro de 1495). Realizou três casamentos, o

primeiro em 1497 com D. Isabel (viúva de D. Afonso), o segundo em 1500

com a infanta D. Maria de Castela e o terceiro em 1518, com D. Leonor,

irmã de Carlos V.
Como político, teve sempre em conta o interesse nacional. Recebeu o governo exactamente no momento em que a Nação se preparava para alcançar a mais
elevada projecção. Os vinte e seis anos do seu reinado conheceram grande

actividade nos domínios da política interna, da política ultramarina e

da política externa.
1) O poder que viera parar às suas mãos era forte, centralizado e o seu governo tendeu abertamente para o absolutismo. Com efeito reuniu cortes
logo quando subiu ao trono, em Montemor-o-Novo e só mais três vezes, em

1498, 1499 e 1502, e sempre em Lisboa, o que é significativo. Nas cortes

de Montemor-o-Novo, toma medidas no sentido duma centralização mais

profunda de toda a administração pública: mandou confirmar todos os

privilégios, liberdades e cartas de mercê, pelos principais letrados do

reino que elegeu, reforma os tribunais superiores e toma uma política de

tolerância em relação aos nobres emigrados por razões políticas e judeus

castelhanos que D. João II reduzira à escravatura. Pelo decreto de 1496

obriga todos os judeus que não se quisessem baptizar a abandonar o país

no prazo de dez meses, sob pena de confisco e morte. Pela lei de 4 de

Maio de 1497, proibiu que se indagasse das crenças dos novos convertidos

e, por alvará de 1499, dificulta a saída do reino aos conversos. O

objectivo era agradar aos Reis Católicos e ao mesmo tempo, evitar que os

judeus continuassem a ser um todo independente dentro do reino. Pelas

Ordenações Afonsinas
, deixa de reconhecer individualidade jurídica

aos Judeus; faz a reforma dos forais, com o fito económico de actualizar

os encargos tributários e para eliminar a vida local; em 1502 saiu o

regimento dos oficiais das cidades, vilas e lugares (Livro dos Ofícios);

em 1509 o das Casas da Índia e Mina e em 1512 saiu o novo regimento de

sisas. Por outro lado com D. Manuel inaugura-se o Estado burocrático e

mercantilista, mandando cunhar índios, o português ou escudo de prata.
2) D. Manuel herdou o impulso dos descobrimentos. Partiu para a índia (8‑7‑1497) a armada de Vasco da Gama, que chegou a Calecut em 20‑5‑1498.
Em 1500 uma armada comandada por Pedro Álvares Cabral, com o objectivo

da Índia, rumou intencionalmente (opinião actual) para sudoeste,

atingindo a Terra de Santa Cruz. D. Francisco de Almeida é nomeado

vice-rei da índia, com o plano de manter o monopólio da navegação e do

comércio para Portugal, tendo em terra pontos de apoio, para a carga da

pimenta e reparação dos barcos. Lançou as bases do futuro «Império», que

será obra de Afonso de Albuquerque. Apesar do comércio da pimenta a

administração vivia em pleno défice (dinheiro gasto superfluamente ou em

compra de produtos manufacturados e alimentares). Afonso de Albuquerque

cria novas fontes de receita, pela conquista de territórios da índia que

pagavam impostos.
3) Soube D. Manuel em matéria de política externa, usar de grande habilidade e diplomacia. No aspecto cultural, reconheceu o atraso do
ensino universitário, mandando promover a reforma da universidade,

estabelecendo entre 1500 e 1504 novos planos de estudo e uma nova

administração escolar.
Ficha genealógica:
D. Manuel, nasceu em Alcochete, a 31 de Maio de 1469 e morreu em Lisboa, a 13 de Dezembro de 1521, tendo sido sepultado no Mosteiro dos Jerónimos. Era o último filho
do infante D. Fernando (1433‑1470), duque de Viseu e irmão de D. Afonso

V, e de sua mulher D. Beatriz (1430‑1506), filha do infante D. João e

neta do rei D. João I. Do seu primeiro casamento, com a infanta D.

Isabel (n. em Dueñas, a 2 de Outubro de 1470; f. em Saragoça, a 28 de

Agosto de 1498), filha dos Reis Católicos e viúva do infante D. Afonso,

filho de D. João II, nasceu:
1. D. Miguel da Paz (n. em Saragoça, a 24 de Agosto de 1498; f. em Granada,
a 19 de Julho de 1500; sepultado no Convento de Santa Isabel, a Real, em

Toledo).

Do segundo casamento, celebrado em 1501, com sua cunhada, D. Maria de Castela (n. em Córdova,
1482; f. em Lisboa, a 7 de Março de 1517; sepultada na Madre de Deus,

donde foi trasladada para o mosteiro de Belém) nasceram os seguintes

filhos:
2. D. João III, que herdou a coroa;
3. D. Isabel (n. em Lisboa, a 24 de Outubro de 1503; f. em Toledo, a 1 de
Maio de 1539; sepultada em Granada, transferida para o Panteão do

Escorial em 1574). Foi imperatriz de Espanha pelo seu casamento com

Carlos V (1500‑1558) a mãe de Filipe II;
4. D. Beatriz (n. em Lisboa, a 31 de Dezembro de 1504; f. em Nice a 8 de
Janeiro de 1538). Foi duquesa de Sabóia pelo seu casamento, em 1521, com

Carlos III;

5. D. Luís (n. em Abrantes, a 3 de Março de 1506; f. em Lisboa, a 27 de
Novembro de 1555). Foi 5.º duque de Beja, condestável do Reino a prior

da Ordem Militar de S. João de Jerusalém, com sede portuguesa no Crato.

Não casou, tendo de uma ligação amorosa com Violante Gomes um filho

natural ou legitimado, D. António, Prior do Crato;


6. D. Fernando (n. em Abrantes, a 5 de Junho de 1507; f. na mesma vila, a 7
de Novembro de 1534; sepultado na Igreja de S. Domingos de Abrantes).

Foi duque da Guarda a senhor de Trancoso, Alfaiates, Sabugal, Abrantes a

alcaide-mor de Trancoso, Lamego a Marialva. Casou em 1530 com D. Guiomar

Coutinho, 5.a condessa de Marialva, tendo geração sem descendência;

7. D. Afonso (n. em Évora, a 23 de Abril de 1509; f. em Lisboa, a 21 de
Abril de 1540; sepultado na sé de Lisboa a trasladado para os

Jerónimos). Foi cardeal do Reino (1517) a prelado de várias dioceses;

8. D. Maria (n. em 1511; f. em Évora, em 1513; sepultada no Mosteiro dos
Jerónimos, transferida para Belém);
9. D. Henrique, cardeal-infante, que herdou a coroa;
10. D. Duarte (n. em Lisboa, a 7 de Outubro de 1515; f. em Lisboa, a 20 de
Setembro de 1540; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos). Foi duque de

Guimarães, casou em 1537 com D. Isabel, filha de D. Jaime, 4.º duque de

Bragança, nascendo do consórcio, entre outros filhos, D. Maria (n. em

Lisboa, a 8 de Novembro de 1538; f. em Parma, a 8 de Julho de 1577), que

casou em 1565 com Alexandre Farnésio, 3.º duque de Parma e Placência; D.

Catarina (n. em Lisboa, a 18 de Janeiro de 1540; f. em Vila Viçosa, a 15

de Novembro de 1614), que, pelo casamento com D. João, 6.º duque de

Bragança, foi em 1580 candidata ao trono de Portugal.

Do terceiro casamento de D. Manuel, com a infanta D. Leonor de Castela (n. em Lovaina, a 15 de
Novembro de 1498; f. em Talaveruela, a 25 de Fevereiro de 1558), filha

de Joana, a Louca, a de Filipe, o Belo, a portanto irmã de Carlos V,

nasceram:
11. D. António (n. em Lisboa, a 9 de Setembro de 1516; f. de tenra idade;
sepultado no mosteiro de Belém);
12. D. Carlos (n. em Évora, a 18 de Fevereiro de 1520; f. a 15 de Abril de
1521; sepultado no mesmo mosteiro);
13. D. Maria (n. em Lisboa, a 18 de Junho de 1521; f. na mesma cidade, a 10 de Outubro de 1577; sepultada na Capela de Nossa Senhora da Luz). Foi a
celebrada infanta cujo nome é citado com frequência como protectora das

letras a das artes. Morreu solteira.


D. João III

D. João III
D. João III




Décimo quinto rei de Portugal, filho de D. Manuel I.
Teve como mestres algumas figuras notáveis da época, como o humanista Luís Teixeira e o médico Tomás de Torres. A partir de 1514, D. Manuel começa a introduzi-lo nas matérias do governo e, em
1517, preparava-se o seu casamento com D. Leonor, irmã de Carlos V. É,

porém, D. Manuel que vem a casar com ela, em virtude da morte da rainha

D. Maria. Com 19 anos é aclamado rei e mais tarde casa com a irmã de D.

Leonor, D. Catarina de Áustria.
O governo de D. João III pode compreender-se à luz de uma vasta política nacional e ultramarina, de que assinalamos os marcos essenciais:
1) Política ultramarina: O vasto império herdado pelo monarca e que se estendia por três continentes, impunha difíceis problemas de administração à distância. No Oriente, após uns primeiros
anos de continuação de conquistas, as dificuldades começaram a surgir.

Turcos e Árabes ofereciam uma resistência cada vez maior ao monopólio

dos Portugueses e os ataques às nossas forças sucediam-se. Em África, as

guarnições dos nossos castelos de Marrocos não conheciam vida calma.

Homens e armas eram enviados com frequência, como reforço, ocasionando

uma despesa enorme sem proveito correspondente, o que em breve se tornou

insustentável. Abandonou-se Safim, Azamor, Alcácer‑Ceguer e Arzila. Como

compensação das dificuldades no Oriente e revezes em Africa, voltou-se

D. João III para o Brasil, realizando a primeira tentativa de povoamento

e valorização daquele território, primeiro com o sistema de capitanias e

depois instituindo um governo geral., com Tomé de Sousa à frente.
2) Relações externas: Em nenhum outro reinado da 2.ª dinastia manteve Portugal uma tão grande actividade diplomática, como no de D. João III, e com a Espanha, de uma maneira intensa. Com a
França, de maneira bastante delicada, devido à guerra de corso movida

pelos marinheiros franceses aos navios mercantes de Portugal e

consequentes represálias por parte da nossa marinha de guerra. Com a

Santa Sé, orientando-se no fortalecimento de relações, conseguindo D.

João III o estabelecimento do tribunal da Inquisição em Portugal e

aderindo os bispos portugueses ao espírito da Contra‑Reforma. Mais

dentro do campo económico, são de pôr em realce as relações

estabelecidas com os países do Báltico e a Polónia, através da feitoria

de Antuérpia.
3) Política interna: A linha absolutista acentua-se nitidamente com D. João III. Este governa apenas com o auxílio do secretário de Estado, António Carneiro e seus dois filhos
Francisco e Pêro de Alcáçova Carneiro. A máquina administrativa foi-se

estruturando com centenas de regimentos, alvarás e cartas. Todavia, o

seu reinado conheceu gravíssimas crises económicas e recorreu-se aos

empréstimos externos. Fomes, epidemias e sismos fizeram também a sua

aparição frequente.
4) Política cultural: A protecção à cultura foi uma dominante deste monarca. À sombra da corte viveram homens como Gil Vicente, Garcia de Resende, Damião de Góis. A esta época estão ainda
ligados nomes como os de Sá de Miranda, Bernadim Ribeiro, André Resende,

Diogo de Teive, Pedro Nunes, Camões, João de Castro, João de Ruão e

outros ainda. É feita uma reforma da Universidade portuguesa e cria-se

um Colégio das Artes.
5) Sucessão ao trono: Apesar da numerosa prole nascida do casamento régio, é o único neto do tronco varonil, D. Sebastião, que irá suceder a D. João III. A morte tinha ceifado todos os
filhos do monarca.
6) A figura: D. João III tem merecido juízos discordantes na sua acção governativa. Para alguns foi um fanático, para outros um hábil monarca. É certo que recebeu o império no seu apogeu e o
deixou no descalabro, mas para além da sua acção pessoal que não foi

brilhante, havia outras causas mais profundas que, de qualquer maneira,

produziriam os mesmos efeitos.
Ficha genealógica:
D. João III nasceu em Lisboa, a 6 de Junho de 1502 e faleceu na mesma cidade, a 11 de Junho de 1557, tendo sido sepultado no mosteiro de Belém. Casou em 1525 com a infanta D.
Catarina (n. em Torquemada, a 14 de Janeiro de 1507; f. em Xabregas, a

12 de Fevereiro de 1578; sepultada no Mosteiro dos Jerónimos), filha de

Joana, a Louca, e de Filipe, o Belo, portanto irmã de D. Leonor,

terceira esposa de D. Manuel. Desse casamento nasceram:
1. D. Afonso (n. em Almeirim, a 24 de Fevereiro de 1526; f. com um mês;
sepultado nos Jerónimos);
2. D. Maria (n. em Coimbra, a 15 de Outubro de 1527; f. em Valhadolid, a 12
de Agosto de 1545). Foi a primeira esposa, em 1543, de Filipe II de

Espanha (1526‑1598), sendo mãe do príncipe D. Carlos (1544‑1568);

3. D. Isabel (n. em Lisboa, a 28 de Abril de 1529; f. de tenra idade;
sepultada no Mosteiro dos Jerónimos);
4. D. Beatriz (n. em Lisboa, a 15 de Fevereiro de 1530; f. pouco depois);
5. D. Manuel (n. em Alvito, a 1 de Novembro de 1531; f. em Évora, a 14 de
Abril de 1537; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos). Nas Cortes

celebradas em Évora, no ano de 1535, foi jurado herdeiro da coroa;

6. D. Filipe (n. em Évora, a 25 de Março de 1533; f. em 29 de Abril de
1539; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos). Por morte de seu irmão D.

Manuel foi jurado herdeiro da coroa;
7. D. Dinis (n. em Évora, a 6 de Abril de 1535; f. na mesma cidade, a 1 de
Janeiro de 1537; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos);

8. D. João (n. em Évora, a 3 de Junho de 1537; f. em Lisboa, a 2 de Janeiro
de 1554; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos). Foi jurado herdeiro da

coroa em 1539, por morte de seu irmão D. Filipe, casando em 1552 com D.

Joana (n. em Madrid, a 24 de Junho de 1535; f. no Escurial, a 7 de

Setembro de 1573), filha de Carlos V e de D. Isabel de Portugal. Do

consórcio veio a nascer, póstumo, D. Sebastião, que herdou a coroa;

9. D. António (n. em Lisboa, a 9 de Março de 1539; f. em 20 de Janeiro de
1540; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos).
Ainda príncipe, D. João III teve um filho natural de D. Isabel Moniz, filha de um alcaide
de Lisboa, por alcunha O Carranca, e de uma moça da câmara da rainha D.

Leonor.
10. D. Duarte (n. em Lisboa, em 1521; f. na mesma cidade, a 11 de Novembro de 1543). Foi aluno dos Jerónimos, em Santa Marinha da Costa, tendo como
preceptor Frei Diogo de Murça, e seguiu depois a carreira eclesiástica.

A protecção régia fez dele prior-mor de Santa Cruz de Coimbra a abade do

Convento de Refoios de Baixo, sendo mesmo indigitado para suceder, em

1542, a D. Frei Diogo da Silva, arcebispo de Braga, o que não veio a

suceder devido à sua prematura morte.


D. Sebastião

D. Sebastião
D. Sebastião




Décimo sexto rei de Portugal, filho do príncipe D. João e de D. Joana de Áustria, nasceu em Lisboa a 20 de Janeiro de 1554, e morreu em Alcácer
Quibir, a 4 de Agosto de 1578. Sucedeu a seu avô D. João III sendo o seu

nascimento esperado com ansiedade, enchendo de júbilo o povo, pois a

coroa corria o perigo de vir a ser herdada por outro neto de D. João III,

o príncipe D. Carlos, filho de Filipe II de Espanha.
De saúde precária, D. Sebastião mostrou desde muito cedo duas grandes paixões: a guerra e o zelo religioso. Cresceu na convicção de que Deus o
criara para grandes feitos, e, educado entre dois partidos palacianos de

interesses opostos - o de sua avó que pendia para a Espanha, e o do seu

tio-avô o cardeal D. Henrique favorável a uma orientação nacional -, D.

Sebastião, desde a sua maioridade, afastou-se abertamente dum e doutro,

aderindo ao partido dos validos, homens da sua idade, temerários a

exaltados, que estavam sempre prontos a seguir as suas determinações.
Nunca ouviu conselhos de ninguém, e entregue ao sonho anacrónico de sujeitar a si toda a Berbéria a trazer à sua soberania a veneranda Palestina, nunca
se interessou pelo povo, nunca reuniu cortes nem visitou o País, só

pensando em recrutar um exército a armá-lo, pedindo auxílio a Estados

estrangeiros, contraindo empréstimos a arruinando os cofres do reino,

tendo o único fito de ir a África combater os mouros.
Chefe de um numeroso exército, na sua maioria aventureiros e miseráveis, parte para a África em Junho de 1578; chega perto de Alcácer Quibir a 3 de
Agosto e a 4, o exército português esfomeado a estafado pela marcha e

pelo calor, e dirigido por um rei incapaz, foi completamente destroçado,

figurando o próprio rei entre os mortos.
Ficha genealógica:
D. Sebastião, nasceu em Lisboa, a 20 de Janeiro de1554; faleceu em Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578; sepultado em 1582 no Mosteiro dos
Jerónimos. Morreu solteiro e sem descendência.


D. Henrique

D. Henrique
D. Henrique




Filho do rei D. Manuel e da segunda mulher deste, D. Maria, foi o quarto na ordem varonil dos
filhos daquele rei.
A sua educação foi orientada para a vida eclesiástica, recebendo sólida cultura, que lhe
foi ministrada por sábios como Pedro Nunes, Nicolau Clenardo e Aires

Barbosa. Um cronista do tempo define-o como de sua condição encolhido, e

vergonhoso (...) pouco mimoso e severo, continente e temperado nas

palavras».
A sua carreira eclesiástica iniciou-se aos 14 anos, ao ser investido como prior
comendatário de Santa Cruz de Coimbra. Seis anos depois recebeu a

administração do arcebispado de Braga. Em 1540 é feito arcebispo de

Évora. Nesta cidade cria uma pequena corte de letrados, músicos,

cantores a charameleiros, que faziam parte da sua casa episcopal. A

protecção que dispensou à cultura até 1562 permite considerá-lo como um

príncipe de ideal renascentista. Entretanto fora nomeado, em 1539,

inquisidor‑geral do reino, em 1545 cardeal e sete anos mais tarde legado

apostólico em Portugal.
Em 1562 obteve a arquidiocese de Lisboa, mas doze anos depois transferiu-se de novo para Évora. Foi graças aos seus esforços que se criou, em 1559,
uma Universidade naquela cidade alentejana, tendo o cardeal ajudado ao

desenvolvimento dessa instituição. Como prelado e inquisidor foi

defensor extreme de princípios religiosos que concebia de forma

altamente conservadora. A sua importância política começa a sobressair

durante a menoridade de D. Sebastião, tendo sido regente de 1562 a 1568,

opondo-se às pretensões de D. Catarina de Áustria, adepta da ingerência

espanhola na política portuguesa.
Nos primeiros anos após a maioridade de D. Sebastião, D. Henrique é o seu principal orientador. Mas desentendem-se, e partir de 1572, e o cardeal
voltará a Évora onde, em Janeiro de 1578, recusa o seu consentimento à

expedição a Marrocos. Subindo ao trono após o desastre de

Alcácer-Quibir, começa por tentar resolver o problema da sucessão ao

trono em termos nacionais, convocando cortes para Almeirim a projectando

o seu casamento com a rainha-mãe de França. Mas a influência espanhola

cada vez maior em Portugal, as rivalidades entre os vários pretendentes

ao trono, a ruína financeira do País a outros factores fizeram da última

fase do reinado de D. Henrique um período de indecisão; eximindo-se a

nomear um herdeiro da coroa, preferiu deixar o problema em suspenso,

escolhendo cinco governadores para o substituírem após a sua morte.
Ficha genealógica:
D. Henrique, nasceu em Lisboa, a 31 de Janeiro de 1512 e morreu em Almeirim a 31 de Janeiro de 1580. Foi sepultado na capela-mor da igreja do Paço
de Almeirim, e transferido em 1582 para o Panteão dos Jerónimos. Cardeal

de Portugal, arcebispo de Braga, Lisboa e Évora, morreu sem

descendência.


D. António

D. António
D. António




Nasceu em Lisboa, filho de uma mulher do povo e do infante D. Luís.
Seu pai desejava que ele seguisse a vida eclesiástica e a sua educação processou-se em sucessivos mosteiros e colégios religiosos, tendo tido
por mestres o grande humanista Fr. Diogo de Murça, o padre Simão

Rodrigues de Azevedo, o teólogo Pedro MargaIho a D. Frei Bartolomeu dos

Mártires.
Com a morte de seu pai decide romper com a carreira que lhe tinha sido imposta. Já prior do Crato e com as ordens de diácono, recusa a
ordenação de presbítero e comporta-se como pessoa secular. Por esse

motivo, seu tio o cardeal D. Henrique manifesta-lhe um ódio declarado, o

que o leva a exilar-se em Castela, em várias ocasiões, durante a

menoridade de D. Sebastião. Com a subida ao trono deste monarca e

gozando da sua estima, D. António desempenha o cargo de governador de

Tânger.
Obtém, então, dispensa do papel das ordens de diácono. Toma parte na batalha de Alcácer-Quibir e é feito prisioneiro. Resgatado, regressa a Lisboa para
chefiar um dos partidos nacionais que se opunham à candidatura de Filipe

II ao trono português. O prior do Crato baseava a sua candidatura na

situação de filho legitimado do infante D. Luís, segundo filho de D.

Manuel, uma vez que não havia descendentes directos de D. João III. Era

necessário, todavia, provar o matrimónio secreto de seus pais.

Organiza-se um processo a D. António obtém uma sentença favorável, mas a

actuação pessoal do cardeal-rei, que contesta aquela decisão, culmina

numa nova sentença desfavorável.
Com a morte do cardeal, as tropas filipinas entram em Portugal. Os partidários do prior do Crato aclamam-no rei em Santarém; Lisboa e Setúbal
recebem-no vibrantemente e, em breve, quase todos os burgos do reino

alinham a seu lado. Mas, não dispondo de exército organizado, nem de

recursos, é derrotado na batalha de Alcântara pelo exército castelhano.

Consegue fugir com dificuldade para o estrangeiro onde, nas cortes de

França a de Inglaterra, procura obter auxílio para lutar contra Filipe

II.
Duas esquadras francesas enviadas à Ilha Terceira são derrotadas sucessivamente pelos castelhanos. A Terceira perde-se, como último
bastião de D. António. Vivendo miseravelmente em França, a expensas de

Catarina de Médicis resolve passar à corte de Isabel I pedindo novo

auxilio. Os ingleses como represália contra o ataque da Invencível

Armada, resolvem enviar a Portugal uma esquadra, comandada por Drake. D.

António desembarca em Peniche mas sofre novo desaire. Regressa a França

e, depois de ter conseguido um novo auxílio de Henrique IV, morre em

Paris de uma crise de uremia, sem realizar o projecto por que tanto

lutou.
Ficha genealógica:
D. António nasceu em Lisboa, em 1531, tendo falecido em Paris, a 26 de Agosto de 1595, tendo
sido enterrado no Convento de S. Francisco da mesma cidade. Era filho

natural ou legitimado do infante D. Luís e de Violante Gomes, mulher

plebeia. Foi rei de Portugal desde 19 de Junho de 1580, data da sua

aclamação em Santarém, até à derrota de Alcântara, a 25 de Agosto

seguinte.

Nunca resignou aos seus direitos e, embora exilado em França a na Inglaterra, manteve luta
armada contra Filipe II, nos Açores (1582‑1583) a em Lisboa (1589). De

várias mulheres teve 10 filhos, sendo os mais conhecidos:

1. D. Manuel de Portugal (n. em Lisboa, 1568; f. em Bruxelas, a 22 de Junho de 1638),
acompanhando seu pai no exílio e vivendo em França, na Inglaterra a na

Flandres. Casou em 1597 com Emília de Nassau, princesa de Orange, dela

se separando em 1625 por motivos de ordem religiosa;


2. D. Cristóvão de Portugal (n. em Tânger, em Abril de 1573; f. em Paris, a 3 de Junho de 1638). Viveu também no estrangeiro, sustentando a causa
paterna e, após a morte de D. António, manteve vivo o mesmo ideal.



3ª Dinastia - Casa de Áustria

Filipe I " O Prudente" ( Filipe II de Espanha)1580-1598
Filipe chegou a Lisboa e foi aceite como Rei Filipe I (1580-98) pelas cortes em Tomar (1581). Garantiu a autonomia Portuguesa, por considerar a união como uma união pessoal, da mesma forma que tinham feito Isabel e Fernando com Castela e Aragão, indicar só Portugueses para a administração, convocar as cortes com frequência, e ser acompanhado por um conselho Português em Madrid.
Filipe I, nasceu em 1527 filho de Carlos V e de Isabel de Portugal. O seu primeiro casamento foi em em 13 de Novembro de 1593 com D. Maria Manuela de Portugal, filha de D. João III e de D. Catarina. Morreu em1598. Casou depois em 1554 com Maria Tudor, raínha de Inglaterra que faleceu em em 1558 . Casou depois com Isabel filha do rei de França e de Catarina de Médicis que morre em 1568. Volta a casar com Ana de Áustria ilha de Maximiliano II. Ana de Áustria morre em 1580.
Cortes de Tomar
Assembleia convocada por Filipe I em 1581 com vista a fazer-se jurar rei de Portugal pelos três estados do reino. Em troca, o monarca comprometia-se a manter e respeitar os foros, costumes e privilégios dos portugueses.
O mesmo aconteceria com os ocupantes de todos os cargos da administração central e local, assim como com os efectivos das guarnições e das frotas da Guiné e da Índia.
Era o princípio da monarquia dual, que vigoraria sem grandes alterações até cerca de 1620. Nas cortes, estiveram presentes todos os procuradores das vilas e cidades portuguesas, excepção feita às açorianas, fiéis ao rival derrotado de Filipe II, D. António, prior do Crato.